ARTIGOS

O que os jovens procuram

Segundo uma pesquisa da Cia dos Talentos com 39 mil universitários e recém-formados no Brasil, Argentina e México, os jovens buscam nas empresas um bom ambiente de trabalho, desenvolvimento profissional e qualidade de vida. Três buscas muito subjetivas. São novas riquezas que esperam estes trabalhadores do futuro. Sai de cena o dinheiro, a visibilidade, o poder. Será?

Antes de tudo, é melhor definir com exatidão o que vem a ser a palavra riqueza. Riqueza não é ter muito dinheiro. Riqueza é tudo aquilo que nos toca o coração. Posso ser rico em saúde, rico em idéias, rico em amigos – e posso também ser rico em posses, se isso toca meu coração.

Invariavelmente quem monta um negócio busca, no fundo, alimentar alguma riqueza. Quem vai trabalhar nesse negócio quer, também, alimentar suas riquezas. Há empresas que se preocupam pouco com o lucro em reservas financeiras, mas fazem questão de investir qualquer destas sobras na visibilidade do negócio ou de seus sócios. A riqueza aí intrínseca é a visibilidade.

Como vemos, nossos jovens estão certos ao procurar esse equilíbrio interior que nos aproxime do que se chama de felicidade, mas esperam que a empresa lhes forneça essa conquista, o que nunca ocorrerá. Se os jovens buscam isso nas empresas vão se iludir até o dia em que compreenderem que somente eles mesmos têm a capacidade de conquistar esse equilíbrio. Vale a citação do filósofo Huberto Rohden: "Nunca farei depender a minha felicidade de algo que não dependa de mim".

Querer um bom ambiente de trabalho por si só não é uma riqueza. A harmonia no ambiente de trabalho é somente coadjuvante. Sentir-se bem com o trabalho em geral, sentir-se satisfeito, isso sim é uma riqueza. Nisso o ambiente externo tem alguma interferência, mas ela é pouca. Para sentir-se bem com o trabalho e no trabalho é fundamental que a pessoa esteja de bem consigo mesma. Quem não está bem consigo pode estar no melhor ambiente que, ainda assim, não estará bem. Filosoficamente isso é ainda mais complexo, uma vez que um bom ambiente para um não é necessariamente um bom ambiente para outro, ainda que geograficamente estejamos falando do mesmo local.

Desenvolvimento profissional? Desenvolver é aumentar as capacidades intelectuais ou progredir. É óbvio que quando se fala em desenvolvimento profissional, não estamos tratando somente da aquisição de conhecimentos, mas, muito mais, da capacidade em receber salários maiores. Ou seja, o dinheiro não sai de cena.

Ter qualidade de vida envolve estar bem física, mental, psicológica e emocionalmente, manter relacionamentos sociais, educação e poder de compra. O trabalho em si fornece somente a capacidade de compra. As demais características para se ter qualidade de vida independem do trabalho e, portanto, independem da empresa.

Temos uma enorme dificuldade para compreender melhor as questões mentais, psicológicas e emocionais. Não aprendemos isso na escola. Esta compreensão vem de aprender consigo mesmo e com o exemplo que os outros nos fornecem em diversas situações de nossas vidas.

Posso dizer-me jovem, afinal, depois dos 45, meus desejos são literalmente os mesmos de um recém-formado. O que nos diferencia é que procuramos saciar estes desejos em lugares diferentes.

Carlos Alberto Pompeu de Toledo Soares, é diretor da Gcapts Consultoria, especializada em reestruturação empresarial gcapts@terra.com.br

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